Livro do professor

Job Projeto gráfico e diagramação de livro didático para professores do Amazonas sobre mudanças climáticas.
Ilustrações Eric Peleias
Cliente Ceclima – SDS (AM)

Os livros da coleção estão à disposição para download no site do Ceclima.

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Design Socioambiental

 

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É claro que falar em sustentabilidade é moda. Mas é claro, também, que há muitas pessoas em busca desse ideal. Ainda bem!

Como designer, sendo criativa por profissão, sinto-me no dever de estudar formas de tornar o insustentável pelo menos mais eficiente, ambientalmente quase responsável, quase socialmente justo e economicamente viável (esta é a única perna que não é quase, porque no sistema capitalista é prioridade).

O idds é o Instituto de Design para o Desenvolvimento Sustentável. Fiz um curso lá com o Christian Ullman, um designer argentino muito interessante que passou alguns anos fazendo trabalho com o Sebrae em comunidades amazônicas e agora transmite as idéias e experiências para quem tá afim de participar do desenvolvimento responsável.

Não dá mais pra ficar inventando coisas insustentáveis a essa altura do campeonato.

Site do Baleia

Job Projeto de Site- portfolio online 
Cliente Rodrigo Baleia, fotógrafo

Por enquanto, o Baleia não produziu o site dele. Mas ele é blogueiro regular da National Geographic, aqui.

sitebaleia

Dona vírgula e seus apostos

Protesto contra a reforma na língua portuguesa. Eu amo a trema, acentuar “pára” e “vôo”.

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Editada.

Era uma vez um sujeito muito do composto perdidamente apaixonado por uma vírgula toda carismática que quase nunca se aproximava, exceto para introduzir rápidas explicações a respeito dele. O sujeito adorava quando ela vinha fazer esses apostos, inflava-se todo ao atrair a moça e ainda ouvir ela falar dele. Sentia que aquele relacionamento lacônico ainda poderia tornar-se prolixo!  

Ela era a única que podia separá-lo de seus irmãos, os verbos de ação e o de ligação. Sujeito não suportava a idéia de conviver vinte e quatro horas com um ou outro irmão. Era sempre assim: quando um não estava incentivando os adjetivos a qualificarem-no, o outro estava dando-lhe ordens. É ruim ser o filho do meio de D. Oração e Seu Período.

A cada parágrafo que se passava o sujeito ficava mais encantado com as curvas da vírgula. Sua sílaba pulsava mais tônica quando sua musa se explanava ao seu lado. Às vezes tinha a impressão de que era inexistente para ela. Para fazer charme, ficava oculto.

Infelizmente, como todo romance escrito, este que conto não tem só momentos de felicidade. Vírgula até se interessava por aquele sujeito – mesmo quando ele estava simplezinho –, mas não suportava o ciúme que ele tinha de seus amigos. Ela sempre teve grande amizade com o adjetivo, por exemplo. E o sujeito passou a reclamar das vezes em que ela o levava em seus apostos. Sem contar que ela, necessariamente, para estar com ele, precisava da ajuda de seus irmãos. Ela não suportava quando ele sacrificava seus encontros só para não vê-la ao lado de algum dos verbos.

A vírgula, então, passou a estabelecer objeções. Ficou cheia de poréns e afastou-se dele. Só fazia um apostinho ou outro e ainda só se fosse para depreciá-lo. Ela nunca gostou de sujeitos obsessivos. Para ela já bastam seus primos, os pronomes, aqueles oblíquos cheios de tratamento, dando uns de possessivos para cima das moças.

Entrevista: Carlos Costa

Em 2005, quando era estudante de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, para cumprir uma proposta da disciplina de Jornalismo Básico I, entrevistei um dos professores do primeiro ano. O mais mítico praquela turma nossa de primeiro ano. 
Continuo publicando para que quando os novos alunos do Carlos Costa googarem-no, possam conhecer como eu essa face dele. E aproveitar melhor suas aulas. ; )

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“Queria ser uma negação como a Gisele Bündchen”

 

O irreverente professor do curso de Jornalismo
da Faculdade Cásper Líbero condena despeito.
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O jornalista e professor Carlos Costa, de 55 anos, além de dar aulas de Design Gráfico, Jornalismo em Revista e História da Comunicação para alunos da graduação, edita a revista Libero, da pós-graduação da Cásper Líbero e Diálogos&Debates, do Tribunal Paulista. Bacharel em Teologia e Filosofia, formou-se jornalista pela Faculdade Cásper Líbero. Trabalhou na revista Playboy por mais de 15 anos. Como editor dela, planejou uma grande reportagem sobre a campanha de Collor para a presidência em 1989. Ele previu a queda, nas pesquisas eleitorais, do então candidato às vésperas da eleição. Em 2005, participou da inovação na correção dos vestibulares da faculdade, em que professores de jornalismo corrigiram as redações dos candidatos a este curso, o que ele acredita ter trazido bons resultados. Da sala da pós-graduação na faculdade, concedeu a entrevista. 

G.J. – O senhor começou como preparador de textos. Como chegou à redação?
Costa – Faltava a legenda, eu fazia. Faltava o “olho”, eu fazia. Aí eu aprendi a redigir, até que surgiu uma matéria. Eu já estudava na Cásper Líbero e era formado em Filosofia.

G.J. – O senhor chegou a exercer algo da Filosofia ou da Teologia?
Costa – Não. Estava estudando para ser padre, mas não cheguei a ser.

G.J. – Mas o senhor realmente queria ser padre?
Costa – Quando eu tinha uns 12 anos.

G.J. – Está fazendo doutorado na ECA. Qual a sua tese?
Costa – Por que a Playboy foi sucesso no Brasil e não na Argentina. Fiz um trabalho comparando o mercado argentino e o brasileiro, o tipo de gosto do argentino, o do brasileiro, e análise das duas revistas. Eu também estou fazendo um trabalho que vai chamar Discursos Ambíguos. As pessoas falam mal da televisão mas todo mundo adora. Certo? Eu quero saber o porquê disso. Em Julho quero fazer 15 grupos de discussão para ver o que as pessoas falam aqui, no Rio e em São José do Rio Preto ou em Londrina. Eu gosto mesmo de quando faço grandes entrevistas. Gosto muito de entrevistar.

G.J. – O senhor ter querido ser padre não o impediu de entrar para a Playboy? Ou o senhor vê como coisas separadas?
Costa – Não, não é separado. Tudo o que você aprende, como o fato de eu ter estudado grego, latim, não tem uma aplicação prática neste momento, mas tem no sentido de que a capacidade que você desenvolveu de aprender é mais importante do que aquilo que você aprendeu. Não são coisas distintas. O empenho que eu tive para estudar Teologia, uso hoje para editar um texto da Líbero, por exemplo. É claro que quando se estuda dogma, religião, Playboy parece estar na outra trajetória. Mas fazer um bom trabalho você pode em qualquer lugar. Se eu fosse protestante ficaria mais complicado. A visão católica é um pouco mais abrangente. Assim, eu não tive peso de consciência, se essa é a sua pergunta. (risos)

G.J. – No livro Notícias do Planalto, de Mário Sérgio Conti, consta que o senhor previu a derrota de Collor nas eleições de 1989. Como foi isso?
Costa – Era tão óbvio, né? Quando você sai na frente, tem mais chance de ser apedrejado e cair. Então eu entrei numa história com a Belisa Ribeiro, que é uma pessoa muito “esperta”, para ela fazer uma grande matéria para depois contar como foi a queda do Collor. Eu não contava com o Roberto Marinho do outro lado. Ele teve uma certa intenção de apoiar o Covas, no começo. Votei no primeiro turno no Covas, porque era o candidato mais sério à presidência naquele momento. O Lula não estava preparado. Aliás, eu desconfio de que o Lula não esteja preparado nem hoje. Mas eu votei no Lula no segundo turno daquela eleição. Mas o Collor teve um aliado muito forte que foi as Organizações Globo. Hoje a Globo diz que não foi assim, mas foi. Era uma história ótima a contar: como um rapaz jovem, que começou com um discurso de marajás, era inconsistente. Mas eu me enganei. A Belisa, no meio do caminho, bandeou para o lado do Collor e demorou quase 6 meses para me avisar. Ela usava passagens da Editora Abril, salário de editor, para fazer um trabalho que não estava fazendo. Pouco ética.

G.J. – E ela estava infiltrada na campanha.
Costa – Para acompanhar e contar a história para Playboy.

G.J. – Mas eles não sabiam…
Costa – Não sabiam que ela ía contar a história do fracasso. (risos) Só que ela bandeou. Depois foi morar em Nova Iorque um tempo. Ela ficou meio queimada com a história da Lurian, a filha que o Lula teria pedido que fosse abortada. A mãe dela (Míriam Cordeiro), uma enfermeira, deu depoimento na campanha do Collor. Foi uma mentira. O Lula foi um bom pai, pelo que parece. Eu acho que um dos motivos pelos quais ele perdeu as eleições foi essa história do aborto da Lurian. O pessoal humilde que ia votar nele ficou escandalizado.

G.J. – Então a Belisa estava como uma espiã na campanha. Como fica para o jornalismo essa prática?
Costa – Ela estava espiã é uma maneira de dizer. Na realidade, fiz um contato com o Cláudio Umberto, que era o braço direito do Collor para área de imprensa. Ele sabia que ela estaria acompanhando. Só que eu não falei para ele que era para contar a história da queda. Então ela estava, digamos assim, com permissão. Não escondida. Ela estava lá conversando, tanto que a convidaram para trabalhar na produção dos programas de televisão dele. E ela não fez a matéria para mim.

G.J. – O que o senhor achou do novo sistema de correção do vestibular da Faculdade Cásper Líbero?
Costa – Os corretores que são professores de Português talvez estejam preocupados mais com o aspecto formal do que com o conteúdo. E foi a queixa de professores de cursinhos que preparam os alunos com frases prontas. Então teve caso de redação que era muito carregada de citação. Teve uma pessoa que devia citar 16 autores. Era um exercício de exibicionismo, né? A pessoa estava querendo mostrar que conhecia autores, como se isso fosse importante. Importante era ser simples e responder ao que era proposto. Muitos alunos falaram sobre a espetacularização da notícia. Teve uma candidata que falou que a Gisele Bündchen era uma negação. Ela não é uma negação! Você namorar o Leonardo di Caprio, ser a modelo mais famosa do mundo, estar em todas as capas é ser uma negação? Não. Acho que você trabalhou direito. Eu queria ser uma negação como ela. Vai falar mal dela só porque está hiper exposta? Tem que falar mal de quem vê programas do Nelson Rubens, quem compra revistas de fofocas… O pessoal ficou muito impressionado com uma entrevista do Jurandir Costa Freire, um psicanalista, em que ele fala da sociedade espetáculo, das moças que morrem de fome para ficarem no perfil da magrela… Esse quadro o Jurandir já apresentou. Repetir o que ele falou? Eu acho que o resultado a gente vai ver a longo prazo. O que eu percebo é que há uma mudança séria no perfil do aluno da Cásper Líbero desde o momento em que o professor Sidney Ferreira Leite assumiu o vestibular. Os alunos estão muito bem preparados do ponto de vista de leitura.

G.J. – Sobre o nível da Faculdade? A Cásper tem fama de ser uma das melhores no Jornalismo.
Costa – Eu diria para você que é difícil dizer que os alunos da ECA são melhores que os da Cásper. Embora o processo seletivo lá seja mais competitivo por ter menos vagas. Em termos de material para trabalho, aqui você tem laboratório de televisão, de rádio, eu acho que por tudo isso a Cásper é melhor.

G.J. – Os alunos do primeiro ano da faculdade são um pouco receosos com o senhor, porque o senhor é um dos mais sérios, cobra bastante…
Costa – Você acha? (risos)

G.J. – Eu acho.
Costa – Tá… (risos)

G.J. – Já os alunos do 2º ano falam muito bem do senhor… Como vê esse amadurecimento de opinião dos alunos?
Costa – É aquela história de você formar para a pessoa usar lá na frente.

G.J. – E o que o senhor tem a dizer para os alunos do primeiro ano, uma dica para encarar a faculdade?
Costa – Eu tenho tanta coisa para falar… Uma delas seria o seguinte: em algum momento, há uma visão muito utilitarista da aprendizagem, “o que esse professor tá me falando não vai servir para minha vida”. Este raciocínio é bastante errado. Como eu falei no começo da nossa conversa, muitas das coisas que você aprende não têm aplicação agora, mas têm ao longo da sua vida. Mesmo alguma expressão de Português que vai no dicionário aprender. Então, que eles tenham menos visão utilitarista, sejam generosos e não façam economia de tempo dedicado ao estudo.

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